Mônica Miranda

17 de May de 2022

Por Rádio Itatiaia, 5/17/2022 às 12:54 PM

Nos bastidores do poder

Ela queria desde menina ser repórter. Aos 11 anos, lá em Janaúba, no norte de Minas, Mônica Cristina Miranda Santos já sonhava com uma carreira que prometia desafios, a começar por um pessoal: provar para si mesma e para a família, que ela podia, sim, ser jornalista. Acreditou, estudou, chegou à Rádio Globo onde ficou poucos meses, ainda como foca, mas já marcando seu estilo de repórter questionadora e investigativa. Tanto, que quando chegou à Rádio Itatiaia em 1987, já começou como repórter da área política. E foi justamente este seu jeito meio bravo, polêmico e impetuoso que marcou sua carreira no jornalismo. 

Conhecida por “apertar” seus entrevistados, Mônica Miranda travou verdadeiros embates com os governadores Newton Cardoso, Hélio Garcia, Eduardo Azeredo, Itamar Franco, Aécio Neves, Antônio Anastasia, Alberto Pinto Coelho, Fernando Pimentel e Romeu Zema. Fez entrevistas de grande repercussão também com políticos como os ministros Antônio Carlos Magalhães, Henrique Hargreaves e Walfrido Mares Guia e o secretário de segurança pública Sidney Safe. Por seu estilo questionador, alguns governadores quiseram tirá-la da cobertura do Palácio da Liberdade, como Itamar Franco, com quem teve, como ela mesma diz, uma relação de amor e ódio. Mas Mônica nunca se deixou intimidar e acabou conquistando o ex-governador, que até quis ser padrinho do seu filho. 

Sempre argumentadora, Mônica chegou à bancada do quadro Conversa de Redação, do Jornal da Itatiaia 1ª. edição, onde continuou chamando atenção por suas opiniões fortes. E foi convidada pelo diretor de jornalismo da Itatiaia, Márcio Doti para comandar o Observatório Feminino, um novo quadro no Jornal da Itatiaia aos domingos, onde são discutidos temas polêmicos e atuais, analisados sob o ponto de vista de quatro jornalistas e de convidadas especiais.

Pela bancada do Observatório Feminino passaram várias jornalistas da casa, sempre sob o comando de Mônica Miranda, que permaneceu por 15 anos à frente do programa, desde sua criação em 2006 até sua saída da Itatiaia em agosto de 2021. E recebeu com maestria mulheres de destaque como as jornalistas Marília Gabriela e Leda Nagle, as atrizes Denise Fraga, Lucélia Santos, Luana Piovani, Deborah Evelyn, Júlia Lemmertz, entre outras.

Além das reportagens de política, quis o destino que Mônica se destacasse também em duas coberturas da área da polícia. A primeira, em agosto de 1990, durante o famoso sequestro do coronel Edgar Soares. A cobertura marcou a crônica policial de Minas Gerais e ganhou novos contornos, quando Mônica por três dias, conversou ao vivo, no ar, com os sequestradores e chegou, inclusive, a participar de negociações para evitar a morte do Coronel e de mais vítimas.

Outra cobertura emblemática foi a da inédita greve da Polícia Militar de Minas Gerais, em junho de 1997, que terminou num grande tumulto na Praça da Liberdade, com tiros, sangue e morte, com Mônica Miranda e equipe da Itatiaia narrando tudo, ao vivo. Com a reportagem intitulada “A revolta dos PMs”, Mônica Miranda e o repórter Eduardo Costa ganharam o Prêmio Líbero Badaró de 1998, concedido pela Revista Imprensa. 

Marcante também foi a cobertura do chamado Massacre de Janaúba, acontecido em outubro de 2007, quando o vigia Damião Soares dos Santos ateou fogo numa creche, o Centro Municipal de Educação Infantil Gente Inocente, matando 14 pessoas, entre crianças, professoras, funcionária e o próprio assassino. E isto, em plena cidade natal de Mônica Miranda. 

A repórter participou ainda por vários dias, da cobertura da tragédia causada pelo rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, em Mariana, em 5 de novembro de 2015. A lama causou a morte de 19 pessoas e uma série de impactos ambientais, sociais e econômicos em 39 municípios de Minas Gerais e Espírito Santo.

Reconhecida como uma das principais repórteres da história da Rádio Itatiaia, Mônica Miranda marcou sua carreira com seu estilo único, entre reportagens políticas, policiais, cobertura de carnavais e incontáveis prestações de serviço. Após sair da faculdade com a vontade de mudar o mundo, mudou a vida de muita gente, empunhando o microfone da rádio por 34 anos e se transformando na Mônica Miranda da Itatiaia.